Uso severo é um termo muito utilizado mas nem sempre totalmente compreendido; de alguma forma e dependendo do interlocutor, os pontos de vista passam a ser um tanto subjetivos ou para ser mais direto, certamente manipulados…
Por que esta afirmação…?
Porque dependendo do objetivo de cada um, o conceito pode ser “flexibilizado” ao ponto de não considerar a condição de utilização de grande parte da frota veicular em situação de Uso Severo.
Para que um veículos seja considerado dentro da condição de uso severo, o mesmo deve cumprir ao menos com um dos fatores sinalizados na imagem abaixo; mas cumprindo com apenas um deles, esse veículo estará irremediavelmente em condição de Uso Severo.
Como podem imaginar, muitos dos argumentos de custo de manutenção utilizados na hora de vender um carro vão por “agua abaixo” diante de um cenário no qual mais de 35% da frota veicular está sob a condição de uso severo e este número cresce para 54% quando o veiculo circula por grandes centros urbanos; esta realidade nem sempre revelada, estabelece um conflito ético/comercial já que, uma vez o veículo incluído na condição de uso severo, os períodos de manutenção (troca de óleo, filtros e fluidos em geral), devem ser reduzidos pela metade da quilometragem estabelecida pelo plano de manutenção normal.
É claro que ninguém gosta disso, como também é claro que o veículo não apresentará grandes problemas durante o período da garantia, e se por acaso alguns poucos apresentarem, ainda estatisticamente são insignificantes como para mudar os planos de marketing e argumentos de venda das montadoras.
Agora, o assunto muda completamente quando desde uma perspectiva de prestação de serviços para o cliente, nos enfrentamos com a necessidade ética (obrigação profissional), de aconselhar ao cliente com relação ao plano de manutenção de seu veículo conforme o tipo de utilização.
Existem 4 fatores que podem individualmente colocar um veículo em condição de Uso Severo; o primeiro está relacionado com a pouca utilização do veículo, mesmo seguindo uma rotina diária, mas com trajetos muito curtos que não permitem ao veículo atingir a temperatura normal.
Esta situação acelera a degradação principalmente do óleo lubrificante do motor, permitindo a diluição de combustível no óleo, a formação de agua por condensação, e a consequente formação de ácidos que agridem tanto ao Óleo do motor, quanto aos componentes mecânicos.
Desta forma, se o veículo realiza trajetos de menos de 30 minutos, e fica parado por alguma horas para depois voltar para seu ponto de partida; esta condição é considerada de uso severo.
Outra condição crítica está relacionada com o transito pesado; e como podem ver no gráfico abaixo o qual mostra a média de velocidade de algumas capitais do Brasil, há muitos veículos circulando nessa condição de “arranca e para” estabelecendo essas médias de velocidade muito baixas as quais exigem uma condição de giro do motor (muito tempo em marcha lenta), fator que configura a maior causa de veículos entrarem na condição de uso severo no pais.
Além do transito pesado por períodos prolongados, assim como a utilização do motor em condição fria, existem veículos que por conta do local no qual habitualmente circulam, se enfrentam a grandes quantidades de poluentes como podem ser partículas em suspensão no ar (poeira), ou necessidade de transitar por caminhos não asfaltados, atravessar regiões alagadas; quando estas condições se transformam em uma rotina de trajeto do veículo, estaremos também diante de uma condição severa de utilização do veículo.
Da mesma forma, existem veículos que por sua condição operacional geralmente relacionada ao trabalho, devem permanecer por tempos prolongados sob alta solicitação; isto é, movimentar cargas pesadas e/ou permanecer por tempos prolongados em altos regimes de rotação do motor (RPM).
Bom, agora que avaliamos os principais motivos que levam a um veículo a estar considerado dentro de uma condição de uso severo, somente nos resta orientar aos clientes com relação a este ponto, e quando for necessário recomendar um novo plano de manutenção conforme a condição de uso.



